18 de fev de 2014

O amor do soneto.



( Texto publicado dia 12/11/2013 no Aos Olhos da Mari )

   Hoje tive um sonho, não um daqueles que conforme as horas do seu dia vão passando fica esquecido, mas um sonho daqueles que te mostram coisas que você insiste em não ver. Daqueles que te despertam.
   No sonho ele estava correndo e eu fui atrás. Tinha outra pessoa me chamando mas fui atrás dele, como sempre. Corri, corri e corri mas ele não parava. E quando consegui alcançar ele estava chorando, eu nunca tinha visto ele chorar. Ele tentava me abraçar mas eu me afastava, o que fazia com que ele chorasse mais ainda. Eu não me afastava por medo, mas por que apesar de ter corrido tanto eu não ansiava pelo seu toque, não por falta de amor, mas por que o amor que sentia havia se transformado, ainda era grande só não tinha mais o tamanho do universo.
   Acordei assustada, agora eu entendia o soneto. O soneto que tantos apaixonados declamam por ai mas não  compreendem seu verdadeiro sentido, agora eu entendia. Agora eu entendia o que sentia a alma do poeta.
   Entendi que sempre fui carinhosa, atenciosa e companheira. Que o amei de tal maneira que seus erros não passavam de grãos de areia. Mas entendi que se o amor não é compartilhado por ambos do mesmo modo se apaga, por que é chama. Não estou dizendo que some, desaparece, até mesmo por que quando a chama se apaga fica marcas, mas não arde mais, não queima, ela se acalma e vira lembranças.
   Agora sei que não foi eterno como tantas vezes juramos quando estávamos juntos mas foi infinito enquanto durou. Quando acordei, depois desse sonho também estava chorando, mas eu estava livre.


Soneto referente ao texto:


Soneto de Fidelidade
(Vinicius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


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